Imprensa

30-Jan-2017 11:43
Saúde

Mais de 10 mil pacientes esperam até um ano por um ultrassom

Saúde,
Foto: Aldo V. Silva / Jornal Cruzeiro do Sul
Hoje existem mais dez mil pacientes aguardando por exames de ultrassonografia em Sorocaba. Doentes, muitas pessoas sofrem com dores que acabam impedindo a realização de importantes atividades diárias, como trabalhar, por exemplo. São pacientes atendidos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), que determina que a obrigatoriedade de garantir a realização desse tipo de exame é da Prefeitura. São ultrassonografias como as de mamas, transvaginal, de abdômen, pelve, aparelho urinário e doppler vasos. O tempo de espera na fila para fazer o exame, segundo a administração municipal, varia de três meses a um ano. Outros exames cujos número de atendimentos não tem dado conta de suprir a demanda dos pacientes são os de ecocardiograma adulto, eletroneuromiografia e espirometria -- este último para o qual sequer há uma empresa contratada para realizá-lo neste momento, segundo a Secretaria Municipal da Saúde.

Na tentativa de dar mais agilidade na realização desses exames, a Prefeitura divulga que será realizada a reorganização da rede de atendimento, a contratação de mais profissionais de saúde e a melhoria das estruturas de atendimento. Informa que em breve a Secretaria de Saúde apresentará o plano de reestruturação, que deverá impactar de forma positiva a população, "abrindo novos horizontes e perspectivas, tanto em se tratando de tempo de espera dos serviços prestados, como no respeito a sua qualidade". Mas deixou de responder se há recursos financeiros ou se a remodelação e contratações que divulga exigirão recursos além dos que atualmente são investidos.

 

Saúde,
Saúde

 

A Secretaria da Saúde divulga ainda que, atualmente, os exames médicos estão em processo de adequação de oferta da demanda. Informa que o prefeito José Crespo determinou à pasta que faça o mapeamento desta demanda reprimida de consultas e exames para criar mutirões, em um primeiro momento, a fim de reduzir esperas -- mas deixou de informar se há um prazo para que estas ações sejam colocadas em prática. Acrescentou que o prefeito também quer que a secretaria atue para ampliar a instalação dos serviços. Já os exames para os quais os agendamentos são feitos de imediato, segundo a Prefeitura, são o de colonoscopia, eletrocardiograma, tomografia e raios-x.


Demora no atendimento gera prejuízos

As dores causadas pelas duas pedras na vesícula fizeram com que a vendedora Glazielle Faustino Oliveira Silva, 27 anos, faltasse demais no emprego. A situação durou meses, até que ela foi demitida. O médico pediu com urgência o exame de ultrassonografia do abdômen superior no dia 16 de setembro de 2015. Ela foi demitida em 11 de março de 2016, sem que tivesse feito o exame. Desempregada, ainda com dores e sem o exame marcado, pediu dinheiro emprestado e pagou R$ 159 na rede particular.

Hoje, quase dois anos depois -- e ainda desempregada -- Glazielle ainda não teve seu problema resolvido. Ela conta que depois que fez o exame por conta própria demorou muito tempo para conseguir passar pelo gastroenterologista e ainda não conseguiu uma avaliação com um cirurgião. Recorda que precisou vender seis camisetas que tinha para que pudesse devolver o dinheiro emprestado para fazer o ultrassom.

Em outro caso, a empregada doméstica Ilza Pereira Alves, 58 anos, conta que passou a sofrer com muita dor na região da panturrilha, que ficou roxa. Assustada com a situação, já que não se lembrava de ter batido a perna, foi até a Unidade Básica de Saúde e a médica pediu uma ultrassonografia, em data que não se recorda, mas afirma que foi no primeiro semestre do ano passado. Ela passou a aguardar pelo aviso do agendamento. A perna curou-se sem um diagnóstico e neste mês de janeiro ela foi chamada para fazer a ultrassonografia. Com o exames em mãos, agora precisa levar à médica.

Leandro Nogueira / Jornal Cruzeiro do Sul
Deixe seu Recado