Imprensa

12-Abr-2017 11:51 - Atualizado em 12/04/2017 12:55
Artigo

Não engane: Temer não recuou; ele tenta te vender o razoável

Reforma da Previdência,
Foto: Foguinho/Imprensa SMetal
Não se engane na Reforma da Previdência: o recuo de Temer é jogo de cena. O que o governo federal tenta fazer é vender o razoável para a sociedade. A sequência é simples. Primeiro, ele joga com o absurdo. Propõe aposentadoria aos 65 anos – somados a 15 anos de contribuição – tanto para os homens quanto para as mulheres. Quer mais. Para garantir 100% da aposentadoria será necessário contribuir por 49 anos.

E não para por ai. Homens a partir dos 50 anos de idade, na época da eventual aprovação da proposta, poderiam se aposentar pelas regras atuais. Mas, para tanto, devem pagar um pedágio de 50%. Essa mesma regra se aplica às mulheres a partir dos 45 anos.

As regras de cálculo das aposentadorias e pensões também serão, pela proposta de Temer, severamente modificadas para diminuir drasticamente os valores dos benefícios dos aposentados e pensionistas.

Não faltaram críticas. Dados apontam claramente: pouca gente vai conseguir se aposentar nessas condições absurdas. Não por acaso, as pessoas se voltaram contra o governo. As paralisações crescem a cada dia e o país se fortalece para um Greve Geral no dia 28 de abril.

E esse é um ponto importante da luta. Isso porque Temer e sua bancada governista na Câmara ainda estão no controle da situação. No momento, o jogo está a favor deles. Por isso, os aparentes recuos de presidente não-eleito precisam ser vistos com cautela.

Ele tirou os servidores públicos estaduais e municipais da reforma. Vai exigir, entretanto, que os governos estaduais façam a própria reforma. Na sequência, virão as reformas municipais.

Agora Temer diz aceitar que a Câmara mude cinco trechos da Reforma. Aceitou que a transição seja ampliada para todos os trabalhadores. As pensões, trabalhadores rurais, Benefício de Prestação Continuada e aposentadorias especiais para professores e policiais também poderão entrar no acordão sugerido por Temer aos seus aliados no Congresso.

Não, eles não estão pensando em você, trabalhador. Tais mudanças têm o objetivo de amenizar o descontentamento da população. Querem dizer que não são tão cruéis e que estão melhorando as condições do trabalhador chegar à aposentadoria. A intenção aqui é uma só: desestabilizar o movimento social que tem tudo para derrotar a Reforma da Previdência.

É agora que devemos, mais do que nunca, ir às ruas. Temos que dar volume aos gritos de insatisfação com a trairagem dos golpistas e governistas oportunistas, até que eles ecoem nos corredores de Brasília.

Precisamos nos mostrarmos firmes e deixar claro que não aceitamos recuos de fachada, nem cavalos de Tróia. O que queremos e o que vamos conseguir nas ruas é a derrubada desse imenso retrocesso, representado pela terceirização irrestrita, pela Reforma da Previdência e pela Reforma Trabalhista.

Por isso, trabalhador e trabalhadora, mantenham-se firmes e somem nesta luta, que é minha, que é sua. Some nesta luta que é nossa.

 

Izídio de Brito Correia - Dirigente sindical metalúrgico e ex-vereador de Sorocaba

Izídio de Brito
Deixe seu Recado